Cláudio Aleoni Arruda

Uma alma marcada pela forte conexão com os cavalos, uma vida traçada pela superação das expectativas. Cláudio Aleoni Arruda tem 28 anos, e metade dessa idade dedicada ao hipismo na Sociedade Hípica Paulista. Essa poderia ser a história de um garoto que cresceu por causa do esporte, mas pelo contrário. É a história de Cláudio, um jovem que luta para conceituar uma modalidade que permeie os caminhos da sua vida.

Vice-campeão da Prova Metropolitana de hipismo em 2009, vice, também, do Campeonato Paulista de 2011. Grandes conquistas para uma pessoa normal, vitórias extraordinárias para um adolescente com Síndrome de Down. É esse tipo de consideração que Cláudio Aleoni desconstrói na sua rotina de cavaleiro, ser campeão é parte do seu trabalho como atleta.

Durante sua infância, Cláudio frequentou a chácara dos avós em Santana do Deserto-MG, cerca de 450 km distante de São Paulo, onde reside. Lá, teve o contato inicial com animais de grande porte, em especial cavalos e gado bovino. 

É comum que a primeira conexão entre cavaleiro e seu animal seja estabelecida desde muito pequeno. Mesmo sem tomar conhecimento desse dado e sem nem sonhar em saltar com um cavalo, foi aos cinco anos que ganhou de presente sua égua Cinira. 

Equilíbrio, direção e concentração

Ele foi desenvolvendo essas habilidades tocando a boiada. Um peão de sangue. Uma lição que Cláudio aprendeu com a sua deficiência é ter cautela. Fazer tudo sem ultrapassar as barreiras de suas limitações. Foi assim que sua família seguiu apoiando a sua evolução. 

Seus pais praticavam o Mountain Bike. Um dos poucos esportes que Cláudio não teve interesse em experimentar. Jogou futebol, fez natação, praticou tênis de mesa e montou cavalos, muitos cavalos. 

Aos oito anos, ele ganhou a égua que chama de professora. Borboleta era mansa, animal de carroça e, portanto, paciente com os avanços silenciosos do menino. Preparação para que, quando a prova de fogo aparecesse - uma Manga Larga com ossadura alta - Cláudio pudesse surpreender novamente. 

Com quinze anos, ficou decidido que o garoto faria um teste para entrar na Escola de Equitação da Sociedade Hípica Paulista. Como em qualquer provação, o ambiente nervoso rondou o desempenho do jovem. Mas nada tiraria essa oportunidade do menino que teve em Borboleta a inspiração de uma vida. 

Ele seguiu fazendo aulas que provavam seu entendimento de percurso e obstáculos no chão. Foi campeão interno nas séries 0,20m; depois 0,40m e duas vezes no 0,60m. Todos os progressos foram conquistados embasados na tranquilidade e no amadurecimento de Cláudio.       

Uma vida de conquistas

O desejo de competir fora do sistema da escola de equitação surgiu e os pais partiram em busca de patrocinadores. Não imaginavam que a solução estava mais uma vez nas mãos do adolescente. A rede de hotéis que o empregou começou a patrociná-lo.

Cavaleiro Cláudio Aleoni Arruda

Em 2008, conquistou a décima posição no ranking da Prova Metropolitana. No ano seguinte veio um vice-campeonato, e junto, mais um patrocinador. Durante três dias de competição no Campeonato Paulista, Cláudio teve que focar em executar bem algumas metas para que, no dorso de Ônix, pudesse ficar no segundo lugar geral do torneio.

Mais um concurso bem realizado. No Paulista de 2011, fez apresentações impecáveis nos dois primeiros dias de prova. Porém, sofreu um refugo no último dia, o que atrapalhou o seu desempenho e lhe deixou com outro vice.

Uma História Triste

Cláudio trabalhava muito, não tinha mais tempo de ir até a fazenda dos avós onde Borboleta, velhinha, estava. Seu tratador dizia que ela nem descia do morro mais. Sem forças e doente, era tratada e alimentada lá. Como se, quanto mais alto, mais próxima de Cláudio ficasse.

Ele aproveitou a folga num feriado para visitá-la. Borboleta desceu, com todas as forças que restavam para vê-lo. Ele a alimentou, deu amor e carinho. Mas estava difícil para ela, quase desistindo, deitou-se. Com muito trabalho, conseguiram colocá-la em pé novamente.

Claudio não sabia que o esforço era uma despedida. Ela subiu capenga o morro e depois de uma última troca de paixão, Borboleta morreu.

A professora ensinou que a comunicação entre homem e cavalo é feita através do olhar, o canal da alma. Deve ser uma conversa de sentimentos, uma conversa de vida.

Um Apelo

Cair, Cláudio cai muito até, mas só é seguro cair até a altura de 0,60m. Para não parar de brilhar, perseguiu outro desafio: a vontade de ir para as paraolimpíadas. Ao pesquisar, descobriu que só deficientes físicos podem participar. A alternativa aparente foram as Olimpíadas Especiais.

Para participar das Olimpíadas Especiais com todas as nações, é preciso que o candidato passe pela SOB (Special Olimpic Brasil). Porém, a organização brasileira não conta com o hipismo entre as modalidades que leva para o internacional. E mesmo que contasse, Cláudio só poderia participar do Adestramento.    

Em 2013 Cláudio lançou uma campanha: Paraolimpíadas 2016 para deficiente Intelectual no Hipismo.  O objetivo é chamar a atenção do COB – Comitê Olímpico Brasileiro, para que possa incluir pessoas com deficiência intelectual no hipismo, na modalidade de adestramento.

Ele não desistiu. Atualmente, o cavaleiro é um dos concorrentes a carregar a tocha olímpica pelo país. Para isso, está concorrendo no site do Bradesco ao processo seletivo que escolherá pessoas e atletas a percorrerem mais de 300 cidades do Brasil.

Você já conhecia a história de Cláudio Arruda? Deixe um recado para esse jovem atleta nos comentários.